15º Domingo do Tempo Comum Ano C - pe. Benedito Mazeti 02/07/2010
11 de julho de 2010
Leituras
Deuteronômio 30,10-14: Escuta a voz do Senhor teu Deus.
Salmo 68/69,14.17.30-31.33-34: Cantando eu louvarei o vosso nome.
Colossenses 1,15-20: Tudo foi criado por meio dele e para ele.
Lucas 10,25-37: Faze isso e viverás.
“VAI E FAÇA VOCÊ A MESMA COISA”
1- PONTO DE PARTIDA
Domingo do bom samaritano. Neste 15º Domingo do Tempo Comum, fazemos memória do Cristo que se faz samaritano de nossa humanidade dividida e sofredora.
O bom samaritano usou de misericórdia e compaixão para com o homem que caiu nas mãos dos assaltantes: cuidou de suas feridas, fazendo curativo e derramando óleo e vinho: transportou o homem para uma pensão em seu próprio animal e assumiu as despesas e ainda recomendou cuidados ao necessitado.
2- REFLEXÃO BÍBLICO, EXEGÉTICA E LITÚRGICA
Contemplando os textos
Primeira leitura – Deuteronômio 30,10-14. O livro do Deuteronômio é uma catequese feita pelos levitas itinerantes do tempo da Bíblia. Tinha por finalidade orientar e ensinar o caminho da justiça e da fraternidade mesmo diante dos conflitos e desafios da vida. O texto de hoje lembra que o ensinamento de Deus é simples e acessível a todos.
Esta passagem se situa na última parte do terceiro e último grande discurso de Moisés a seu povo (Deuteronômio 29-30). Moisés insiste em pedir ao povo escolherem deliberadamente entre os “dois caminhos” do bem e do mal, o que conduzirá à felicidade e o que conduzirá à infelicidade.
E exortação inicial que Moisés faz a todo o povo de Israel é escutar a voz de Deus e observar seus mandamentos e suas leis. E nisto há um relacionamento muito profundo, pois escutar a voz de Deus significa observar seus mandamentos e leis.
Moisés mostra de que modo a santidade e a transparência de Deus são temperadas por sua proximidade. Não devemos procurar Deus nos confins do mundo, como muitos do incansável (versículos 12-13): Deus está próximo do ser humano, pois o fez à sua imagem e semelhança e prepara-se para nele fazer, através de seu Filho, a sua morada (versículo 14). A transcendência de Deus fez-se palavra e é humana, a fim de ser percebida a vivida pelo ser humano.
A Palavra de Deus está próxima do israelita, ela está na sua boca e no seu coração. Isto é, ela está ao alcance de todos. E por isso todos os israelitas tinham as condições de praticar a Palavra de Deus. Se eles não a observavam e não prestaram atenção à voz do Senhor é porque não amavam a seu Deus de todo o coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças (Deuteronômio 6,4s).
O mistério desta Palavra é o de estar ao mesmo tempo, na boca e no ouvido (versículo 14), Palavra que é preciso escutar, Palavra que é preciso professar. É o motivo pelo qual Cristo dará um significado bem particular à cura dos surdos-mudos (Marcos 7,31-37), colocando em evidencia que somos mudos só porque somos surdos e não sabemos escutar. Portanto, o Deus da lei não é um Deus autoritário, que transmite pela Palavra uma vontade inacessível: é o Deus do diálogo, que gosta de falar para fazer-se ouvir e espera que lhe respondam.
Realização em plenitude da Palavra de Deus, o Evangelho também não é uma exigência fora do alcance humano. Para todo aquele que se coloca em atitude de abertura e de escuta, a todo aquele que recebe o Verbo Eterno vindo entre nós, o jugo desta Palavra parecerá leve, e só haverá um breve instante entre a escuta e a realização, entre os ouvidos e os lábios.
Os israelitas talvez até amassem mais os deuses pagãos dos povos estrangeiros do que a Javé. E nós, os ouvintes desta Palavra de Deus neste domingo? Nós amamos a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todas as forças? Ou talvez amamos mais os ídolos pagãos dos povos estrangeiros, os deuses da mídia que nos apresentam sob a forma da idolatria da riqueza, quer individual, quer coletiva, da idolatria do consumismo, do sexo despersonalizado, do egocentrismo, da busca e do prestígio a qualquer preço?
Salmo responsorial – Salmo 68/69,14.17.30-31.33-34. É um salmo sapiencial com elementos de ação de graças. O ensinamento proposto não é uma doutrina teórica, mas a formulação de uma experiência espiritual. Por isso a doutrina tradicional não se torna rotina, mas é pessoal e comunicativa.
“Olhos e ouvidos” de Deus significam em termos humanos o caráter pessoal de sua relação com as criaturas.
São João aplica o versículo 21 deste salmo a Cristo morto na cruz (João 19,36), reconhecendo a proteção do Pai sobre o corpo já morto do seu Filho. Esta proteção não é tardia; pelo contrário, prova que o pode de Deus supera a morte.
Cantando hoje este salmo expressemos diante do Senhor a nossa confiança e peçamos que Ele mesmo venha ao encontro de nossas fraquezas e nos ajude a cumprir em nossa vida a sua Palavra.
HUMILDES, BUSCAI A DEUS E ALEGRAI-VOS:
O VOSSO CORAÇÃO REVIVERÁ!
Segunda leitura – Colossenses 1,15-20. A comunidade de Colossos era composta por pessoas vindas do paganismo. Estava havendo dificuldades na interpretação da fé, com sérias conseqüências para a prática. Paulo, informado da situação, escreve da prisão.
Contexto: o hino que constitui a segunda leitura deste domingo é uma referencia explícita à redenção, enquanto remissão dos pecados, e traz presente na mente de Paulo a festa do Kippurim (Expiação). A conexão entre o Ano Jubilar e a redenção foi feita pelo próprio Cristo em Lucas 4,18 citando Isaias 61,1s. a festa do Kippurim no tempo do Novo Testamento estava unida com a festa do Ano Novo, então período para a remissão dos pecados e reconciliação de Israel com Deus.
A liturgia da festa do novo ano, aniversário da criação, lembra o múnus (trabalho) de Cristo na criação. O que foi dito da Sabedoria e da lei como mediadoras respectivamente da “criação e da redenção” foi aplicado por Paulo a Cristo, verdadeiro e único mediador da criação (1Coríntios 8,6) e Redenção (Romanos 5,10). Assim no hino se entrelaçam a ordem da criação e a ordem da redenção (nova-criação).
De fato, o hino começa no versículo 14. No contexto atual o hino diz respeito ao Cristo encarnado na história da salvação e nosso único mediador, pois a criação faz parte da história da salvação, e não se trata apenas de um fato filosófico.
Na primeira parte (versículos 14-17) Paulo fala de Cristo como pessoa histórica e Filho único de Deus, feito homem. Este ser concreto e encarnado nasceu em Belém, no tempo do rei Herodes (cf. Lucas 1-2), a “imagem de Deus” enquanto reflete na natureza humana e visível a imagem do Deus invisível (cf. 2Coríntios 4,4; Hebreus 1,3), e como criatura é primogênito na ordem da criação, uma primazia mais de excelência e causa que de tempo, pois quando o Cristo assumiu a humanidade, desde há muito os homens já eram.
Como primogênito participou ativamente da criação qual causa e exemplo (Provérbios 8,27-30) e de todos os seres do universo. Tudo o que existe são criaturas, nenhum poder angélico ou celeste escapa do seu domínio. Como Deus é Senhor dos astros (Gênesis 1), também Cristo é Senhor dos anjos, á anterior a tudo, e tudo Dele tira origem. Conseqüência desta afirmação é que nenhuma salvação poderá ser esperada dessas criaturas, pois são apenas criaturas. Só o Cristo, por quem Deus criou, é fonte de salvação. A conexão então entre “criação e redenção” se faz explícita. Só quem fora mediador da criação, poderia sê-lo da redenção. Cristo criou, mantém e dá sentido ao universo, que marcha para Ele. Ele não esteve ou estará presente em alguns momentos da história da humanidade, Ele está desde sempre, e assim será até a Parusia. A criação não é um fato do passado, ela continua a acontecer, e Cristo será sempre o mediador das relações entre Deus e o mundo, que nos faz compreensível o mundo como criação.
“Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja”. Ao seu redor constitui-se uma comunidade de salvação, a Igreja, e nessa comunidade Ele tem a preeminência, é Cabeça. Em Romanos 12 e 1Coríntios 12, Corpo designa a comunidade dos fiéis, aqui e em Efésios, Cristo é apresentado como Cabeça do Corpo, que é a Igreja.
“Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia...”. O versículo 2,9 especifica que tipo de Plenitude o Pai lhe deu, “plenitude da divindade”. Ser salvo é participar da divindade e Cristo possuindo em si essa plenitude torna-se fonte de salvação.
Em suma, o hino quer nos mostrar que a redenção é possível e real porque o Redentor e o Criador são um. A redenção então não é um método para se sair do mundo, ela acontece dentro do mundo e tem por finalidade levar o mundo a sua origem, levar a Deus pelo Cristo.
Evangelho – Lucas 10,25-37. O trecho do Evangelho de hoje proclamado na liturgia, capítulo 10 de Lucas, está inserido após o ministério de Jesus na Galiléia. Jesus está em viagem para Jerusalém (cf. 9,51—19,27), no caminho faz o bem, é rejeitado pelos samaritanos como vimos domingo passado (cf. 9,51-56), ensina como segui-Lo (cf. 9,57-62), envia os setenta e dois discípulos e escuta-os no retorno da missão (cf. 10,1-24). Após exultar de alegria por Deus ter revelado os mistérios do Reino aos pequeninos, é abordado por um jurista, que, pondo-o à prova, pergunta-lhe sobre o maior mandamento. Jesus responde a ele contando a parábola do bom samaritano: uma espécie de espelho para que o jurista veja melhor sua ação e conduta.
Um sacerdote e um levita casualmente voltavam de suas funções no Templo de Jerusalém para casa, pelo mesmo caminho, pois Jericó era cidade onde viviam muitos sacerdotes; passaram com descaso pelo coitado semimorto, dando volta dele sem prestar-lhe socorro e sem ter compaixão. Tocar um morto os tornava impuros para o culto (Levítico 21,1). Outros motivos de não prestar-lhe socorro seriam: pressa, medo de cair nas mãos de assaltantes, não se incomodar – numa palavra, o bem-estar pessoal foi mais forte do que o sentimento de misericórdia. Era uma estrada muito perigosa porque tinham muitos assaltos. Como profissionais, serviam ao Senhor e representavam o povo, devendo ser modelo de amor a Deus. E o amor ao próximo? O culto e a misericórdia andavam separados em sua mente e na prática também.
Passou também um samaritano que agiu diferentemente do sacerdote e do levita em favor do pobre homem. Judeus e samaritanos eram inimigos. Não interroga sobre a origem da pessoa, mas entra logo em ação, vendo no homem caído um necessitado. O samaritano deve ter notado logo que se tratava de “um judeu”, e assim, deu exemplo de verdadeiro amor em favor de um inimigo. O bom samaritano é “tomado de compaixão”, (versículo 33). Esta palavra, em grego, designa unicamente a misericórdia de Deus ou a de Cristo (Mateus 9,36; 14,14; Lucas 7,13; 15,20). Misericórdia é um sentimento divino que inspira o samaritano; ele é, assim, a imagem de Deus, a revelação do amor de Deus pela pessoa humana. Fez com aquele pobre homem tudo que podia – 6 atos de caridade, que vão desde o momento presente até o restabelecimento: aproximou-se (presença), fez curativos nas feridas, levou-o a uma pensão, cuidou dele, deixou quem o atendesse e pagou as despesas (versículos 34s). Com isso cumpriu à risca o preceito do amor; não foi heroísmo, mas fez tudo que era necessário para salvar uma vida.
O sacerdote e o levita serviram a Deus, não socorreram o próximo sofredor; o samaritano os superou no cumprimento da Lei: “Eu quero misericórdia, não sacrifícios” (Oséias 6,6). É que ele teve o coração aberto às necessidades do próximo, comoveu-se até às entranhas frente a miséria humana. O grande obstáculo é a dureza de coração e o orgulho doutrinal. Bem aventurados os misericordiosos (Mateus 5,7).
Enfim, o esquema de nossa parábola se assemelha curiosamente ao da parábola do “bom pastor” e do “filho do dono da vinha” (João 10; Lucas 20,9-18). Assim como o bom pastor vem salvar as ovelhas despojadas, atacadas e levadas à morte (João 10,10), e que o filho do dono da vinha se apresenta depois dos profetas enviados em vão, o bom samaritano chega assim depois dos sacerdotes e levitas, que não quiseram nem puderam salvar o homem ferido. O samaritano revela o amor de Deus à humanidade; ele cuida dela pelos sacramentos do óleo e do vinho, e a confia à hospedaria da Igreja.
Cristo vem sob o aspecto de um samaritano, isto é, de um desprezado (João 8,48), como o filho do dono da vinha, para revelar o amor de Deus, onde as técnicas pagãs e judaicas da salvação fracassaram. Alias, a parábola do bom samaritano pode ter sido inspirada a Cristo por 2 Crônicas 28,15, onde samaritanos utilizam, em relação aos judeus, processos caritativos semelhantes aos que são ressaltados na narrativa de Lucas:: menção de Jericó, cuidados feitos a sobreviventes de um massacre, transporte dos estropiados em cavalos, preocupação em “abrigá-los”.
Luca quer mostrar com a parábola o significado sobre o grande mandamento e que o dever da “caridade” tomou novas exigências, desde Cristo. Já não basta amar seu próximo como a si mesmo; é preciso perguntar-se de que modo ser o próximo do outro e amá-lo da maneira como Deus o ama. É a intenção do discurso depois da Ceia, onde é dado um mandamento novo: amar o outro como nós mesmos fomos amados (João 13,24). Portanto, é importante tomar consciência de que pertencemos a essa humanidade ferida, deixada meio morta na beira da estrada, e que Cristo veio salvar. A caridade não é mais compreendida então como uma simples obrigação moral, mas como o reflexo do próprio amor de Deus, o sinal dos últimos tempos, nos quais a misericórdia divina vem substituir os meios judaicos de salvação. Deslocando a discussão sobre o grande mandamento e fazendo-a desembocar na parábola do bom samaritano, Lucas apresenta a doutrina da caridade.
O amor ao próximo tem sua vitalidade no amor a Deus, do qual é garantia. Não é possível um amor autentico ao próximo sem o de Deus e vive-versa. Separar o amor ao próximo do amor a Deus, seu princípio fundamental, é reduzi-lo a pura filantropia.
O amor cristão ao próximo é muito mais que um amor à humanidade ideal; o próximo são as pessoas concretas que andam ao nosso redor, razão de não ser tão cômodo tal amor. O amor cristão fundamenta-se na vontade de Deus e no fato de que todas as pessoas são filhos do mesmo Pai e por Ele amados. Como tal o amor não depende de sentimentos e inclinações, possibilitando um serviço desinteressado ao outro, até mesmo inimigo (Lucas 22,26; Marcos 9,35; 10,43s; Mateus 5,44).
O essencial no preceito do amor não é o sentimento, mas a decisão de ajudar o outro, que em certos momentos pode exigir renúncias pessoais de notabilidade. Jesus, em sua pregação, partiu para o radicalismo do mandamento do amor, condenando a ira (Mateus 5,21) e a vingança (Mateus 5,38-42), exigindo o amor aos inimigos (Mateus 25,43-48) e o perdão ilimitado, (Mateus 18,21s cf. Lucas 17,4). Se o amor a Deus é preceito fundamental, o mesmo podemos dizer doa amor ao próximo, a ponto de o juízo final ser montado segundo o critério das boas obras (Mateus 25,31-46).
3- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO
Cora Coralina, em um dos seus poemas escreveu: “nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”. Ela é ousada na forma com que diz o sentido da vida. Faz uma antropologia. Dizendo de outra forma, o sentido da vida tem a ver com a ponte relacional que estabelecemos uns com os outros. Em chave religiosa e bíblica, poderíamos falar em comunhão. É a comunhão que desentranha o horizonte da existência.
Na missa, um dos ritos que melhor expressa a relação íntima e profunda com o próximo que é Jesus, chama-se Rito da comunhão. Vamos ao seu encontro, para que o Senhor permaneça em nós, ao acolher sua Palavra, como gosta de falar o Evangelho de João (cf. antífona da comunhão) e continue a passar pela história fazendo o bem, conforme rezamos na Oração Eucarística VI-D.
Logo, a experiência do seguimento a Jesus vem por conseqüência ir ao próximo e se inclinar sobre ele para lhe recuperar a vida.
Para que cresça em nós a salvação
A oração depois da comunhão deste domingo nos estimula a rezar, para que “cresça em nós a [...] salvação cada vez que celebramos”. A adesão ao amor de Deus é libertadora. O que nos faz entender que a reunião dos crentes nos provoca uma conversão (cf. Oração do dia), a fim de que o sonho de Deus para seu povo chegue à realidade.
No fim das contas, a liturgia deste domingo reitera que não é possível amar a Deus, sem amar aos irmãos. Jesus que é a própria face humana de Deus, em todos os gestos que praticou ensina a amá-lo em suas criaturas, em particular, dos que estão feridos de morte. Conseqüentemente, nós, cristãos, entendemos que, mergulhados no amor dele, encontramos a Deus e permitimos a salvação agir em nós.
As palavras de Jesus ao mestre da Lei ressoam até hoje para nós: “vai e faze a mesma coisa”. Entendamos este mandato de Jesus de amar o próximo, associado ao mandato eucarístico: “fazei isso em memória de mim”.
4- A PALAVRA CELEBRADA E VIVIDA NO COTIDIANO DA NOSSA VIDA
As leituras de hoje nos levam a rever nossas opções. Uma revisão a partir do coração. As perguntas feitas pelo jurista podem também ser nossas: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” (v. 25). “Quem é o meu próximo?” (v. 29). Como o jurista, merecemos ouvir a parábola exemplar do bom samaritano, para que através desse espelho sejamos capazes de enxergar e avaliar nossa prática.
Ressoa em nosso coração a última pergunta de Jesus: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” (v.36). “Próximo não é aquele que se encontra em meu caminho, mas aquele em cujo caminho me coloco” (Gustavo Gutiérrez). Para Jesus, onde se clama por misericórdia, aí o amor ao próximo intima à ação. O samaritano de ontem nos faz lembrar samaritanos e samaritanas de hoje. Sem dúvida são milhares espalhados pelo mundo.
Há muitas pessoas e grupos que se fazem próximos dos outros, como, por exemplo, a Pastoral da Criança. Quantas pessoas que se dedicam a esse trabalho incansável e que traz resultados tão esperançosos: “A trajetória da Pastoral da Criança é repleta de histórias de esperança, conquistas, superação das dificuldades e transformação da realidade. O acompanhamento das famílias e crianças em cada comunidade é um exemplo de que a sociedade organizada é capaz de fazer na busca de soluções para os problemas sociais [...]. Os números revelam que o trabalho da Pastoral da Criança é bem recebido em todos os cantos do país. Isto graças a atuação da boa samaritana Zilda Arns que está na eternidade. No entanto, mais do que crescer e salvar vidas, a Pastoral da Criança quer mudar vidas, de crianças, de mulheres, de homens, de gente acompanhada, orientada, iluminada pela vontade de ajudar, de ver crianças crescendo e se desenvolvendo. São muitos os números que cercam esse trabalho de sucesso, mas o mais importante dos dígitos não foi e nunca será contabilizado: a transformação social das comunidades, que têm como protagonistas os próprios voluntários e famílias acompanhadas”.
Todas essas ações são fruto da compaixão. São muitos os caídos pela estrada, feridos, perdidos, com medo, sem esperança. Permanece o apelo e o mandato do Senhor. “Vai e faze a mesma coisa” (v. 37).
5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA
Nesta celebração litúrgica, entramos em relação com Deus através de Cristo, que está presente em nosso meio. Ele – a cabeça do corpo que é a Igreja, que somos nós – é o princípio e o primogênito. Cristo é a face humana de Deus, como diz Paulo: imagem do Deus invisível. Um Deus misericordioso, cheio de compaixão. Na escuta, nas ações simbólicas vamos experimentar o amor incansável de deus, que amou tanto que foi capaz de entregar seu próprio Filho.
Celebrando o mistério pascal do Senhor, somos transformados para uma vida nova. É um caminho, um processo. Exige entrega e capacidade de retomar, de converter-se com todo o coração e com toda a alma, o que se dá também na ação litúrgica: “Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória” (antífona de entrada).
Temos disposição para responder à convocação de Deus, mas, às vezes, os limites nos superam. Sem Deus não somos nada, por isso é preciso suplicar incessantemente a sua presença, como rezamos na oração do dia: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, daí a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e a abraçar tudo o que é digno desse nome [...].
Deus vem ao nosso encontro, na palavra e na Eucaristia, na presença dos irmãos e irmãs reunidos e também na compaixão e bondade do que preside, representando Cristo, a cabeça (cabeça porque guia, dá a vida e conhece as pessoas, cura as feridas se necessário for). Jesus se faz próximo de nossa pequenez, cura as nossas feridas e convoca-nos para fazermos o mesmo. O envio é significativo: “Arrisquemos viver movidos pela compaixão”.
6. ORIENTAÇÕES GERAIS
1. Preparar bem a celebração. A preparação feita por uma equipe que tenha formação litúrgica adequada pode assegurar uma celebração mais autêntica do mistério pascal do Senhor, assim como a ligação como os acontecimentos da vida, inseridos neste mesmo mistério de Cristo (cf. Doc. da CNBB 43, n. 211). Garantir que o povo de Deus exerça o direito e o dever de participar segundo a diversidade de ministérios, funções e ofícios de cada pessoa (Doc. da CNBB 43, n. 212; Sacrosanctum Concilium, n.14). Preparar a celebração e utilizar de uma metodologia – um caminho.
2. O método da leitura orante auxilia muito na preparação da celebração. Seria bom que os membros da equipe e toda a assembléia criassem o hábito de praticar a leitura orante diariamente.
3. A cor litúrgica desta solenidade é o verde.
4. E preciso cuidar da formação técnica, teológica e espiritual de todos os (as) ministros (as).
5. Os cantos e músicas devem expressar o sentido do domingo. Para isso temos o Hinário Litúrgico III da CNBB: “Assim que a tua glória”, página 123; “Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos” 174-175; “Aleluia, semente é de Deus a Palavra”, página 237; Samaritano, que importa, página 282; “Eu vim para que todos tenham vida” (Hinário Litúrgico II, página 142).
6. A leitura contínua do Evangelho, harmonizada com a primeira leitura, tirado do Primeiro Testamento, dá a tônica da celebração e apresenta um itinerário de seguimento. Aí temos a espiritualidade a ser vivida durante a semana e a vida toda.
7. A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia formam um só ato de culto; portanto, é preciso manter um equilíbrio de tempo entre as duas. Demasiada atenção dada à procissão com o Lecionário ou com a Bíblia, homilias prolongadas, introduções antes das leituras parecendo comentários ou pequenas homilias, tudo isso prejudica o rito eucarístico, que em conseqüência acaba sendo feito às presas.
8. Na homilia, pedir que alguém conte alguma experiência de solidariedade.
9. A Oração Eucarística pode ser a para Diversas Circunstancias IV – Jesus passa pelo mundo fazendo o bem.
10. “É muito recomendável que os fiéis recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação do Sacrifício celebrado” (IGMR nº 56 h). Um dos mais graves abusos nas celebrações da eucaristia é a distribuição da comunhão do sacrário como prática normal. Assim pecamos contra toda a dinâmica da ceia eucarística, que consta da preparação das oferendas, da ação de graças sobre os dons trazidos, da fração do pão consagrado e da sua distribuição àqueles que, com a oblação deste pão, se oferecem a si mesmos com Jesus ao Pai.
11. Dia 16 é festa de Nossa Senhora do Carmo. Dia 17 é memória de Inácio de Azevedo e seus companheiros, mártires no sul do Brasil e também de Bartolomeu de Las Casas, bispo defensor dos povos indígenas e negros.
7- MÚSICA RITUAL
O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 15º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado.
A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.
A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum, “cantar a liturgia”, e não “na liturgia”. Os cantos devem estar em sintonia com o ano litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que a “equipe de canto” faz parte da equipe de liturgia.
O canto de abertura sugerido pelo Hinário III da CNBB, assumindo a antífona de entrada retirada do Salmo 17/16,15 com os versos do Salmo 33/32, é uma ótima opção. É sempre importante recuperar a tradição de cantar os salmos nas celebrações, já que eles contam as maravilhas que Deus realiza por meio da história de seu povo.
Forma de executar o canto de abertura. A vantagem de o povo responder com um refrão (cantado de cor!) a alguns versos, entoados por um cantor ou a equipe de canto, é a de a assembléia mais livremente poderem olhar e contemplar a procissão de entrada dos ministros, às vezes precedidos pelas crianças da primeira eucaristia, pelos jovens a ser crismados, pelo casal de noivos que vai se unir em matrimônio etc.
Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados nos CDs Liturgia VI e XI.
1. Canto de abertura. (Salmo 17/16,15) Saciar-se de contemplar a glória de Deus. “Assim que a tua glória...”, melodia e estrofes iguais à faixa nº 19 – CD Liturgia VI..
2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.
O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.
3. Salmo responsorial 69/68. Sião, morada dos amam o Senhor. “Humildes, vede isto e alegrai-vos...” CD Liturgia XI, melodia igual à faixa 17.
O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.
4. Aclamação ao Evangelho. Guardar a Palavra do Cristo é tornar-se anfitrião dele e do Pai “Semente é de Deus a Palavra...”, CD Liturgia XI, melodia da faixa 20. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.
5. Refrão após a homilia. “Prova de amor maior não há..., CD Tríduo Pascal I, faixa 18.
6. Apresentação dos dons. O grande mandamento do amor ao próximo deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa transformar-se numa hospedaria (Lucas 10,34). Devemos ser oferenda com nossas oferendas. “A mesa santa que preparamos...”, CD Liturgia XI, melodia da faixa 123.
7. Canto de comunhão. (Salmo 84/83,4-5) Felicidade de morar na casa de Deus / (João 6,57) Comer e beber Cristo e permanecer nele. “Samaritano, que importa”, CD Liturgia XI, melodia e estrofes iguais à faixa 18; “Eu vim para que todos tenham vida”, CD Tríduo Pascal I, faixa 19.
O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho de cada Domingo. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral. Cantos de adoração ao Santíssimo, cantos de cunho individualista ou cantos temáticos não expressam a densidade desse momento. Tipos de cantos que devem ser evitados numa celebração eclesial: “Eu amo você meu Jesus”; “Ti olhar, ti tocar”; “Fica comigo Jesus”, “Eu quero subir...”
7. Desafio para os instrumentistas. É transformar as ondas sonoras do violão, do teclado e dos outros instrumentos na voz de Deus, isto é, em sintonia com o coração de Deus. Muitas vezes os instrumentistas acham que para agradar a Deus e o povo é preciso barulho e agitação. É preciso uma conscientização maior dos instrumentistas de que Deus não gosta do barulho. Assim fala o Senhor: “Afasta de mim o barulho de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas” (Amós 5,23). Deus gosta da brisa leve, da serenidade, da mansidão, do silêncio... Veja o exemplo da experiência que o profeta Elias fez de Deus na brisa suave e não na agitação do furacão, nem do terremoto e nem do fogo (1Reis 19,11-13). É preciso muito cuidado com os instrumentos de percussão. As equipes de canto e as bandas barulhentas, não expressam aquilo que Deus é, mas aquilo que os músicos são. “O barulho não faz bem, o bem não faz barulho” (São José Marello).
8- O ESPAÇO CELEBRATIVO
1. O espaço da celebração deve recordar para nós a Jerusalém celeste de que nos fala a segunda leitura. Portanto, o lugar da celebração deve ser preparado para as núpcias do Cordeiro. Deve ser belo, sem ser luxuoso; deve ser simples, sem ser desleixado; deve ser aconchegante para que todos se sintam participantes do banquete. A mesa da Eucaristia é o lugar de convergência de toda a ação litúrgica. Assim o altar não pode ser “escondido” por imensas toalhas, arranjos de flores e outros objetos. O altar é Cristo. É ele o ator principal da liturgia. “As flores, por exemplo, não são mais importantes que o altar, o ambão e outros lugares simbólicos. Nem a toalha é mais importante que o altar. Os excessos desvalorizam os sinais principais. A sobriedade da decoração favorece a concentração no mistério celebrado” (Guia Litúrgico Pastoral, página 110).
2. O lugar onde celebramos a Eucaristia é Casa da Igreja e antes disso é Casa da Palavra, pois é esta que, sacramentalmente, forja a comunidade dos cristãos. De certo modo, a construção de pedra é imagem da construção viva, isto é, o povo de Deus, da qual fala Paulo em suas cartas, que a Igreja, Corpo de Cristo. Neste sentido, é lugar de interlocução, de diálogo a partir das escrituras que são interpretadas pelos ritos. Assim, toda a celebração litúrgica é Palavra de Deus dirigida ao povo reunido. Mas também é resposta deste povo aos apelos que lhe são expressos.
3. A cruz é uma peça importante nas celebrações do Mistério Pascal do Senhor. Ela é entendida pela Instrução Geral do Missal Romano como um elemento que deve recordar aos fiéis o acontecimento da fé ali celebrado.
4. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.
5. A cruz é símbolo da fraqueza humana fortalecida pela graça de Deus. Nela ficou exposta toda a fragilidade e se manifestou a misericórdia de Deus ao ressuscitar seu Filho Jesus Cristo.
6. A cruz dos cristãos (referência à vida gasta em favor do próximo) deve ser assumida, carregada pelo caminho da vida, à maneira de Jesus. Cláudio Pastro diz que ela é sinal da nossa vitória. Por isso “Uma procissão atrás da Cruz, traz presente a Igreja peregrina que segue a Cristo e caminha sob sua bandeira”.
7. Preparar o espaço celebrativo. A mesa da Palavra receba também destaque semelhante à mesa eucarística: toalhas, cor litúrgica (verde). Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o altar.
8. “O altar dentro da Igreja goza da mais alta dignidade, merece toda honra e distinção, pois nele se realiza o mistério Pascal de Cristo, do qual é o símbolo por excelência. Pela sua dignidade e valor simbólico, o altar não pode ser um móvel qualquer ou uma peça sem expressão, mas precisa ser nobre, belo, digno, plasticamente elegante. Nada se sobrepõe ao altar. Ele pode ser realçado com a toalha, as velas, a cruz processional, as flores. Todos estes elementos devem enfatizar a sua nobreza e sobriedade, sem escondê-lo ou dificultar as ações litúrgicas.
9. Os castiçais com as velas, a cruz processional, as flores sejam preferivelmente colocados ao lado, deixando a mesa livre para que apareçam os sinais sacramentais do pão e do vinho. A toalha, caindo somente nas laterais, sem esconder totalmente a frente do altar, pode ser colocada para a celebração da Eucaristia, dando ênfase ao banquete que o Senhor nos prepara. Durante o dia, o altar pode permanecer desnudo ou com um ‘trilho’ na cor litúrgica do tempo” (Guia Litúrgico Pastoral, páginas 105-106).
9. AÇÃO RITUAL
Ritos Iniciais
1. A recordação da vida pode ser o espaço ideal para manifestar os fatos marcantes como aniversários, bodas, momentos de dor e de luto, missa de 7º e 30º dia, etc. A lembrança pelos falecidos pode ser feita na Oração Eucarística (memento dos mortos) e as demais necessidades manifestadas nas preces. Hoje seria interessante dar uma palavra de conforto aos doentes presentes na celebração, dando-lhes ânimo e coragem.
2. O Hino de Louvor (Glória) é, sem dúvida, um dos momentos altos da celebração. Deve ser cantado solenemente por toda a assembléia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico. Cantar com vibração.
Liturgia da Palavra
1. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.
2. Convém fazer bem feito a proclamação da Palavra de Deus (leituras, canto do salmo, evangelho). Proclamar de tal maneira que a assembléia sinta que é realmente Deus quem está falando para o seu povo. Para que isso aconteça, fazer previamente um bom ensaio e, mais que isso, uma verdadeira vivência da Palavra de Deus com os (as) leitores e o(a) cantor(a) do salmo responsorial. A Palavra merece, e a assembléia agradece.
3. O salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos a sua revelação. Por ser Palavra de Deus deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) e nunca do lugar onde está a equipe de canto.
4. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano.
5. Após a leitura não é preciso mostrar o livro. Por que? Porque quando o(a) leitor(a) diz “Palavra do Senhor” (para as leituras) ou “Palavra da Salvação” (para o Evangelho), refere-se à Palavra do Senhor que acabou de ser proclamada e ouvida pela assembléia e não ao livro em si.
6. Ao final da leitura, nunca dizer “Palavras do Senhor” ou “Palavras da salvação” (no plural), pois não são “palavras” que são proclamadas e sim “a Palavra (Deus mesmo, Cristo que fala ao povo reunido em assembléia!).
7. Após a homilia, rezar a “Ladainha dos necessitados”. Fiéis à palavra que escutamos – Vai e faze o mesmo – entreguemos ao Pai a nossa súplica por todos os necessitados e peçamos a ele a graça da solidariedade e da misericórdia.
(Silêncio.)
Senhor, tende piedade de nós...
Cristo, tende piedade de nós...
Senhor, tende piedade de nós...
- Dos pobres e pequenos, torna-nos próximo e solidários.
- dos famintos e miseráveis.
- Dos doentes e angustiados.
- Do povo negro.
- Dos povos indígenas.
- Dos portadores do HIV.
(Continua a ladainha espontaneamente...)
Cristo, ouvi-nos!
Cristo, atendei-nos!
Sê propício, Senhor, às preces do teu povo e faze-nos próximos de nossos irmãos e irmãs sofredores, para que estendamos por toda a terra a tua compaixão. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Terminada a Ladainha pode haver uma bênção especial para os doentes:
“Salvai-nos em vosso amor, Senhor nosso Deus,
que sempre cercais de carinho as vossas criaturas;
erguei estes vossos filhos e filhas enfermos
e sustentai-os com a vossa força;
dai-lhes o remédio, curai as fraquezas
a fim de que eles alcancem felizmente o conforto que de vós esperam.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém. (Ritual de Bênçãos, n. 308
Liturgia Eucarística
1. Quanto ao prefácio: se não for cantado, quem preside procure proclamá-lo com ênfase, mas ao mesmo tempo calmamente, de forma serena e orante. Frase por frase. Cada frase é importante, anunciadora do mistério que hoje celebramos. Basta prestar bem atenção nelas! A boa proclamação do Prefácio, como abertura solene da grande oração eucarística (bem proclamada também), tem um profundo sentido evangelizador, pois, por seu conteúdo e, sobre tudo, por ser oração, toca fundo no coração da assembléia.
2. Proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística). Na Oração Eucarística, “compete a quem preside, pelo seu tom de voz, pela atitude orante, pelos gestos, pelo semblante e pela autenticidade, elevar ao Pai o louvor e a oferenda pascal de todo o povo sacerdotal, por Cristo, no Espírito”.
3. Cantar com vibração o “Amém” conclusivo da Oração Eucarística. Por Cristo, com Cristo...
4. Valorizar o rito da fração do pão, “gesto realizado por Cristo na última ceia, que no tempo apostólico deu o nome a toda a ação eucarística, significa que muitos fiéis pela Comunhão no único pão da vida, que é o Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo, formam um só corpo (1Coríntios 10,17” (IGMR, nº 83).
5. Distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para seus ajudantes.
6. Pelo menos aos Domingos, Páscoa semanal dos cristãos, é muito oportuno que a comunhão seja feita sob as duas espécies para toda a assembléia, conforme IGMR, nn. 240-252 e 281-286.
Ritos Finais
1. Os ritos iniciais remetem aos ritos finais, pois neles somos convocados para estar com o Senhor e sermos enviados em missão (cf. Marcos 3,14), para sermos sacramento de unidade e da salvação de todo o ser humano (cf, Lumem Gentium 1), mensageiros de solidariedade, de paz, de justiça, transformação pascal, vida, salvação, aliança entre todos os povos e culturas.
2. Para confirmar a missão recebida, recordam-se os compromissos (os avisos, comunicações), propostos como expressões do envio. Portanto, feitos com objetividade, clareza e a devida motivação, para maior envolvimento da comunidade Evitem longos comentários sobre cada aviso.
3. Na bênção em nome da Santíssima Trindade levem-se em conta as possibilidades que o Missal Romano oferece (bênçãos solenes, na oração sobre o povo). Ela expressa que a ação ritual se prolonga na vida cotidiana do povo em todas as suas dimensões, também políticas e sociais. Ver a bênção final do Tempo Comum III do Missal Romano.
4. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Irmãos e irmãs sejam testemunhas da paz, e da compaixão. Sejam próximos de todos os necessitados. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
5. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.
10- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Celebremos a Páscoa semanal do Senhor. Que a força da cruz do Senhor transforme a nossa vida.
Nossa vida, muitas coisas nos preocupam: saúde, emprego, família, amigos etc. São preocupações justas e importantes. Mas lá no íntimo de nós, quem sabe, perpassando todas as nossas preocupações, existe uma que, de vez em quando, explicitamos: “O que preciso fazer para ganhar a vida eterna?” Será que, do jeito que estamos vivendo estou garantindo a minha vaga no céu?
O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.
Um abraço fraterno a todos
pe. Benedito Mazeti
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