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 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil


Romaria leva 700 padres ao Santuário de Aparecida
08/02/2010

Mais de 700 padres participaram da Romaria dos Presbíteros, realizada hoje no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). A missa foi presidida pelo arcebispo de Mariana (MG) e presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha. Outros 22 bispos também participaram da celebração, entre eles, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer.

Em sua homilia, dom Geraldo retomou a Carta aos Presbíteros, escrita pelos bispos brasileiros durante a 42ª Assembleia da CNBB. O arcebispo destacou a “caridade pastoral” como “eixo integrador” da vida dos padres e o testemunho de pobreza dos padres “incansáveis e sobrecarregados no exercício do ministério”.

Dom Geraldo lembrou, ainda, o espírito missionário que marca a vida dos padres do Brasil e confirmou a importância de suas organizações. “Suas organizações próprias, tais como a Pastoral Presbiteral, os Encontros Nacionais, as fraternidades presbiterais, as associações e comissões demonstram o desejo de uma vida profundamente marcada pela solidariedade entre vocês, que são mais autênticas quanto mais abertas e sensíveis à realidade de todos os irmãos presbíteros”, disse o presidente, citando o documento da CNBB. (Veja abaixo a íntegra da homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha).

Em entrevista aos jornalistas, dom Geraldo ressaltou a importância da Romaria realizada durante o Encontro Nacional de Presbíteros, que acontece em Itaici, desde quarta-feira, 3, dentro do Ano Sacerdotal que fala da fidelidade do padre. “A palavra fidelidade ganha sentido mais forte no mundo de hoje em que tudo é efêmero”, disse. “Fidelidade (sacerdotal) é assumir um compromisso que abrange toda a existência”, acrescentou.

Após a missa, o cardeal Odilo Pedro Scherer fez uma conferência para os padres, no subsolo da Basílica de Aparecida. Ele retomou o Documento de Aparecida para apresentar o que desafia os padres hoje.
Homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana e presidente da CNBB, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na Romaria dos Presbíteros, por ocasião do 13º. Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), aos 6 de fevereiro de 2010.

Emoldurada pelo Ano Sacerdotal, que tem como tema Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote, no contexto da celebração do 13º Encontro Nacional dos Presbíteros que tem como tema ENPs: 25 anos celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral, realiza-se esta Romaria dos Presbíteros do Brasil ao Santuário Nacional de Aparecida. Neste contexto, recordo, com grata satisfação, as palavras que nós, bispos do Brasil, dirigimos na Carta aos Presbíteros, por ocasião da 42ª Assembleia Geral da CNBB. Não obstante os problemas e dificuldade que todos nós bem conhecemos, caríssimos presbíteros, “alegra-nos perceber que a caridade pastoral é o eixo integrador de suas vidas como presbíteros. Temos, ante nossos olhos, inúmeros testemunhos de presbíteros incansáveis e até mesmo sobrecarregados no exercício do ministério”(CNBB, Doc. 75, n.6). “É para nós um fato edificante e até questionador a condição de pobreza real que muitos de vocês abraçam por causa de Cristo e do Evangelho. Vivendo em comunidades das periferias urbanas e em regiões isolados do interior, muitos presbíteros partilham as dolorosas carências da população empobrecida e marginalizada” (cf. CNBB, Doc. 75, n.7). “Muito nos alegramos ao constatar o empenho de vocês para testemunhar com convicção, a fidelidade ao espírito dos conselhos evangélicos, no seguimento de Jesus pobre, obediente e célibe, sabedores que carregam, como nós, tesouros em vasos de barro” (CNBB, Doc. 75, n.8). “É hora de especial empenho pela mística presbiteral que os levará a ter no Cristo Bom Pastor o modelo que, a exemplo de sua caridade pastoral, lhes propicia encontrar o vínculo da perfeição sacerdotal, fonte da unidade de sua vida e missão” (CNBB, Doc. 75, n.15). “Esmerem-se em levar avante a formação permanente” (CNBB, Doc. 75, n.16). “A vivência em presbitério tem sido, sem dúvida, para todos nós uma fonte inesgotável de aprendizado da vivência ministerial. Aí encontramos ajuda mútua para, como ministros ordenados, garantirmos a fidelidade ao seguimento de Jesus Cristo” (CNBB, Doc. 75, n.21). “O espírito missionário deve ser sempre mais concreto no sinal de cooperação e vida em comum, que cresce entre nós. Alguns presbíteros têm-se colocado à disposição de outras Igrejas Particulares, intercambiando experiências e favorecendo maior integração de nossa Igreja em âmbito nacional. Reconhecemos que houve, nos últimos anos, um crescente compromisso de nossa Igreja com a missão ad gentes” (CNBB, Doc. 75, n.24). “Suas organizações próprias, tais como a Pastoral Presbiteral, os Encontros Nacionais, as fraternidades presbiterais, as associações e comissões demonstram o desejo de uma vida profundamente marcada pela solidariedade entre vocês, que são mais autênticas quanto mais abertas e sensíveis à realidade de todos os irmãos presbíteros” (CNBB, Doc. 75, n.27). “Constatamos, caros irmãos presbíteros, que a grande maioria de vocês exerce seu ministério na paróquia. Em comunhão com as Conclusões de Santo Domingo, reafirmadas na Conferência de Aparecida, sonhamos com o dia em que cada paróquia seja autêntica comunidade de comunidades ou verdadeira rede de comunidades. Paróquias ministeriais, celebrativas, missionárias, ecumênicas, libertadoras e, como pedia o papa João Paulo II, verdadeiras casas e escolas de comunhão” (cf. CNBB, Doc. 75, n.38).

Ressoa de maneira especial, as palavras da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada aqui em Aparecida: “O presbítero, à imagem do Bom Pastor, é chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, próximo a seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades. A caridade pastoral, fonte da espiritualidade sacerdotal, anima e unifica sua vida e ministério. Consciente de suas limitações, o presbítero valorize a pastoral orgânica e se insira com gosto no presbitério ao qual pertence” (cf. DAp. n.198).

Em sua carta para a proclamação do Ano Sacerdotal, por ocasião dos 150 anos de morte do Santo Cura D’Ars, o Sumo Pontífice Bento XVI afirma que tal iniciativa “pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo /.../ ‘O sacerdócio é o amor do coração de Jesus’ costumava dizer o Santo Cura D’Ars. Esta tocante afirmação permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade

Também a nós o Senhor dirige essas palavras que nos enchem de alegria e nos estimula a prosseguir no caminho da fidelidade à nossa vocação e missão: “Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Somos, portanto, os confidentes de Jesus. Eles nos conta os segredos do Pai. Isso não é merecimento nosso. A iniciativa partiu dele: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Que graça admirável! Escolhidos para sermos seus amigos e discípulos, e enviados como seus missionários.

O cardeal dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, em sua Carta dirigida aos presbíteros, com grande sabedoria pontuou: “Caríssimos presbíteros, nós, pastores, nos tempo de hoje, somos chamados com urgência à missão, seja ad gentes, seja nas regiões dos países cristãos, onde tantos batizados afastaram-se da participação em nossas comunidades ou, até mesmo, perderam a fé. Não podemos ter medo nem permanecer quietos em casa. /.../ Não lançaremos a semente da Palavra de Deus apenas da janela de nossa casa paroquial, mas sairemos ao campo aberto da nossa sociedade, a começar pelos pobres, para chegar também a todas as camadas e instituições sociais. Iremos visitar as famílias, todas as pessoas, principalmente os batizados que se afastaram. Nosso povo quer sentir a proximidade de sua Igreja. Nós o faremos, indo à nossa sociedade com alegria e entusiasmo, certos da presença do Senhor conosco na missão e certos de que Ele baterá à porta dos corações aos quais O anunciarmos”.

Na primeira Carta de Pedro há pouco proclamada, ouvimos esta admoestação que se dirige a todos nós revestidos do ministério sacerdotal: “sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, MS de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho” (1Pd 5,1-3).

Caros irmãos presbíteros,

Neste Santuário Nacional da Padroeira do Brasil, contemplamos a figura terna da Virgem Mãe Aparecida. Em Maria dá-se a máxima realização da existência cristã, como um viver trinitário. Ela é a discípula mais perfeita do Senhor e a grande missionária, continuadora da missão de seu Filho e formadora de missionários. Ela nos inspira e nos encoraja em nossa caminhada de discípulos e missionários de seu Filho Jesus.

A Eucaristia que estamos celebrando seja oportunidade privilegiada de encontro com Jesus Cristo. Neste Sacramento, Jesus nos atrai a si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Em cada Eucaristia, celebramos e assumimos o mistério pascal. Portanto, devemos viver nossa fé na centralidade do mistério pascal de Cristo, de maneira que toda a nossa vida seja cada vez mais eucarística. A Eucaristia, fonte inesgotável de nossa vocação, seja, ao mesmo tempo, fonte inextinguível da caridade pastoral e do impulso missionário (cf. DAp 251). E assim, “quando aparecer o pastor supremo, possamos receber a coroa permanente da glória” (cf. 1Pd 5,4). Amém!

Fonte: CNBB.org.br

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